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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

HAND LANGUAGE & GESTURE NO KRUMP



 Conceito, aplicação técnica, linguagem corporal e construção narrativa

Pesquisa, organização e autoria biográfica

MAYCKON ALMEIDA (FLESHBONEZ)

Referência editorial e projeto de pesquisa: KRUMPOLOGY

Material de estudo e circulação educacional sobre cultura e técnica do Krump


INTRODUÇÃO

Este tema é bem mais profundo do que “mãos que acompanham os arms”. A literatura e os
materiais produzidos pela comunidade apontam para uma função comunicativa das mãos
no Krump: elas podem identificar quem fala, para quem se fala, o que está sendo
manipulado, a intensidade de uma ideia e até funcionar como pontuação de uma frase
corporal.

Uma distinção central para esta apostila é que Hand Language, Hands Code, Gesture e
Hand Signs não são exatamente a mesma coisa. Cada termo descreve uma camada
diferente da comunicação corporal e da organização técnica.

1. HAND LANGUAGE: O CONCEITO MAIOR

Miss Prissy descreve jabs, arm swings, grabs e ações de braços como “communication
tools” e afirma que, com experiência, o uso das mãos passa a se aproximar de uma forma
de comunicação visual comparável, de maneira metafórica, a uma sign language. A ideia
central é que o krumper aprende a reconhecer maneiras de usar as mãos para comunicar
intenção.

Jonadette Carpio amplia essa perspectiva ao explicar que diferentes hand gestures podem
carregar significados distintos: speech hands indicam intenção de falar; open hands podem
construir invisible props ou ampliar visualmente a presença do corpo; fists podem
comunicar power e intensity.

Isso muda completamente a maneira de entender a técnica. O braço gera trajetória, volume
e energia, mas a mão pode determinar a intenção semântica daquela trajetória.

HAND LANGUAGE = the use of hand shape, direction, action, spatial
relationship, timing and intention to communicate meaning through Krump.

A formulação acima deve ser entendida como uma síntese pedagógica, não como uma
definição oficial universal. O Krump continua sendo uma cultura fortemente transmitida
por oralidade, prática comunitária, fams, sessions, workshops e linhagens. A pesquisa
acadêmica brasileira sobre o tema também destaca essa sistematização singular de
conhecimento por vocabulários e tradição oral dentro da comunidade.

2. HAND LANGUAGE ≠ HAND SIGN

No Krump existe também o Hand Sign: configurações de mãos que funcionam como
emblema, representação, identificação de Fam/Crew ou mensagem social. Documentações
comunitárias registram sinais representando o “K” de Krump, Street Kingdom e sinais
próprios de Fams ou Crews, utilizados em fotos, saudações, battles e sessions como formas
de representação, respeito ou reconhecimento.

A distinção funcional é importante:

Hand Sign: tende a operar como um símbolo relativamente estável, identificável e
representacional.

Hand Language: é um processo dinâmico de comunicação durante a dança, no qual
significado nasce da relação entre forma, trajetória, direção, timing, foco, character e
contexto.

3. HANDS CODE: A GRAMÁTICA BÁSICA DA
FORMA DA MÃO

As fontes não apresentam uma única taxonomia universal. Isso é um dado importante:
diferentes professores e linhagens organizam o conhecimento técnico de maneiras
próprias.
Um sistema pedagógico contemporâneo descreve três códigos recorrentes:

Power: mãos fechadas.

Liveness: mãos abertas.

Talking: indicador e polegar estendidos, com os demais dedos flexionados.


Essa organização é compatível com descrições de Jonadette Carpio: punho associado a
power/intensity; open hands relacionadas a expansão, criação de volume e invisible props;
speech hands relacionadas à comunicação.

O glossário Session Queens também registra Expansion como abertura da mão com os
dedos amplamente separados, utilizada para expandir sensação ou energia durante o
round.

Já o curso de Prince Yarjack apresenta quatro Hand Codes: Power, Fist, Talking e Claw.
Como o material público não detalha suficientemente a distinção semântica entre todas as
categorias, é mais rigoroso tratá-las como organização pedagógica específica, e não como
taxonomia universal do Krump.

Existem convenções reconhecíveis, mas diferentes linhagens e professores
podem organizar esse conhecimento de maneiras diferentes.

4. GESTURE: ONDE O CÓDIGO VIRA AÇÃO

Uma mão fechada sozinha comunica pouco. Uma mão aberta sozinha também. 
O significado emerge da combinação entre diferentes componentes do movimento.

HAND SHAPE + ARM PATHWAY + DIRECTION + FOCUS + TIMING + BODY STATE +
CHARACTER

Imagine a mesma mão aberta em situações diferentes:

• A mão sobe acima da cabeça enquanto o corpo cresce: pode construir liveness ou
expansion.

• A mão fecha sobre algo invisível: pode se transformar em grab ou snatch.

• A mão empurra frontalmente: pode estabelecer rejeição, distância ou confronto.

• A mão cria uma esfera e acompanha sua existência no espaço: pode construir um
invisible prop.

• A mão aponta para o próprio peito: cria uma referência ao self.

• A mão aponta para o oponente: cria direct address ou statement.

A mão pode ser comparada à palavra; o gesto é a palavra funcionando dentro da frase.

Kyla Kikkawa descreve o Krump como particularmente “linguístico”: uma conversa pode
ocorrer por meio das mãos, do espaço, do call-and-response e da relação entre dancer,
comunidade e self. 

Em ambientes em que essa linguagem é compartilhada, o público pode
reagir como quem “ouve” aquilo que o dançarino comunica visualmente.

YOU DON’T JUST SEE KRUMP. YOU CAN “HEAR” IT.




5. O JAB COMO FALA

O Jab merece atenção específica. O Session Queens descreve Jab como um movimento de
braço e mão semelhante estruturalmente a um punch, porém capaz de ser executado com
diferentes hand gestures. O braço é projetado até um ponto e pode permanecer colocado ou
retornar rapidamente.

Prince Yarjack associa diretamente o Jab à clareza do storytelling. Por isso, reduzir Jab
simplesmente a “soco” é pedagogicamente limitado. Ele pode compartilhar a mecânica
visual de uma projeção ou punch, mas linguisticamente pode funcionar como address,
statement, emphasis ou punctuation.

Se o krumper projeta o braço com uma speech hand em direção a alguém, o gesto pode ser
lido como fala direta. Se a mesma trajetória aparece com fist, body compression e chest
involvement, a frase muda de qualidade. Se termina com abertura dos dedos, a mesma
trajetória pode sofrer nova transformação semântica.

A mesma trajetória corporal pode adquirir significados diferentes quando a
forma da mão, o estado do corpo e o foco visual mudam.

6. ARM SWING COMO PONTUAÇÃO E RELEASE

O Session Queens define Arm Swing como uma das foundations originais e o descreve
como uma maneira de liberar energia acumulada durante o round. Prince Yarjack
apresenta uma analogia útil: o Arm Swing pode funcionar como um “dot”, um ponto final
de uma sentença expressa corporalmente.

Essa leitura não deve ser tomada como gramática oficial, mas como ferramenta pedagógica
para compreender por que movimentos tecnicamente corretos podem permanecer vazios
quando não formam relações entre si.

Uma possível leitura pedagógica seria: Jab como palavra ou declaração; Hand Placement
como organização visual da frase; Arm Swing como punctuation ou release; Pose como
congelamento da ideia; Chest como breath e engine.

O problema técnico não é apenas possuir vocabulário. É saber formar frases com ele.

7. INVISIBLE PROPS: QUANDO A MÃO CONSTRÓI
REALIDADE

Jonadette Carpio associa explicitamente open hands ao uso de invisible props. Outras
análises de Krump descrevem invisible props como criação de esferas, espaços ou objetos
através das mãos, utilizados como possibilidades narrativas e de character. Glossários
históricos da comunidade também descrevem Invisible Props como objetos imaginários
utilizados para contar uma história ou expressar emoção.

Uma regra técnica fundamental é a continuidade física do prop. Se o dançarino cria uma
esfera entre as mãos e decide que ela pesa muito, o corpo precisa sustentar essa
informação. Se deixa o objeto em um ponto do espaço, precisa lembrar onde ele está. Se
agarra algo, dedos, pulso, cotovelo, shoulder, torso, focus point e reação corporal devem
confirmar a existência daquele objeto.

Storytelling convincente exige consistência espacial, peso, resistência, escala e
consequência.Quando isso funciona, o espectador começa a enxergar aquilo que não existe fisicamente.

8. GRAB, SNATCH, THROW, SMASH, CATCH,
SLAM...

Documentações históricas da técnica registram, dentro dos Arms, elementos como Jabs,
Slam, Grab, Catch, Throw, Smack, Arm Illusion, Arm Delayed, Arm Placement, Tap, Hand
Talk e Hand Position. Sistemas contemporâneos também descrevem Snatch como agarrar
um objeto imaginário e puxá-lo em direção ao corpo, enquanto Smash pode ser usado para
representar a destruição de um objeto imaginário.

Aqui aparece uma diferença estrutural importante:

Fist, open hand e talking hand são principalmente configurações. Grab, throw, snatch e
smash são ações. Quando configuração e ação se combinam, o vocabulário se expande.

• open hand- grab 
• open hand- expand 
• open hand- push 
• open hand- hold 
• open hand- create 
• fist- hit 
• fist- pull 
• fist- contain 
• fist- punctuate 

É dessa combinação que surge uma linguagem muito maior do que um pequeno catálogo
de sinais.




9. SPACE É PARTE DA FRASE

Para a leitura funcionar, precisamos saber quem está falando, para quem, onde o objeto
está e em que direção a energia viaja. A relação espacial transforma o significado.

Um jab lançado ao público não produz exatamente a mesma leitura de um jab direcionado
ao adversário. Uma mão apontando para cima estabelece outra relação corporal
comparada à mesma mão projetada para o chão. Uma ação trazida para o peito tende a se
relacionar ao self; uma ação lançada para fora externaliza a informação.

É por isso que Hand Language sem focus point perde legibilidade. O olhar confirma a
existência do referente. Se o dançarino olha para a mão, conduz o espectador para ela. Se
olha para um objeto imaginário em determinado ponto, aquele espaço começa a adquirir
existência narrativa. Se olha para o oponente enquanto o braço chega nele, transforma o
gesto em direct address.

10. A MÃO NÃO PODE SE DESLIGAR DAS
FOUNDATIONS

Storytelling não significa abandonar Krump para fazer teatro ou pantomima
Duwane Taylor, ao discutir a linguagem codificada da dança, coloca chest, stomps e arm swings —
incluindo jabs e outros movimentos — entre as bases fundamentais da linguagem. Miss
Prissy também coloca chest pop no centro da foundation, com arm swings, jabs e grabs
funcionando como ferramentas comunicativas e stomp sustentando a relação rítmica.

GESTURE WITHOUT FOUNDATION = MIME.

FOUNDATION WITHOUT INTENTION = EXERCISE.

FOUNDATION + INTENTION + CHARACTER + MUSICALITY = KRUMP LANGUAGE.

A formulação acima é uma síntese pedagógica desta pesquisa, não uma citação histórica.
Ela serve para lembrar que gesto, técnica e identidade do Krump precisam permanecer
conectados.




11. CHARACTER MUDA O SIGNIFICADO DA MÃO

O Session Queens define Character como a persona adotada pelo krumper, capaz de
influenciar tanto como o corpo se move quanto quais histórias ele conta. Logo, a linguagem
das mãos não possui semântica completamente fixa.

Uma claw executada por um monster character pode sugerir captura ou predação. Em
outro character, a mesma configuração pode se tornar manipulação, magia, deformação ou
simplesmente uma assinatura visual. Uma open hand realizada lentamente pode parecer
monumental; a mesma open hand em staccato pode parecer explosiva. Se os dedos
tremem, outra textura emerge.

Shape tells us WHAT.
Dynamics tells us HOW.
Character tells us WHO.
Context tells us WHY.

12. MUSICALITY: GESTURE TEM PROSÓDIA

A linguagem falada possui pausa, volume, velocidade, acento e entonação. Hand Language
também pode ser estudada dessa maneira. Um gesto pode acontecer no kick, na snare, em
uma vocal, entre duas batidas, antes do beat como anticipation, depois dele como reaction,
sustentado sobre uma textura sonora ou interrompido por silence.

Por isso, não basta perguntar “qual gesto foi feito?”. A pergunta técnica mais interessante
pode ser: “quando ele aconteceu?”. Timing muda significado. Um grab antecipando uma
bass drop pode construir expectativa; no impacto, pode parecer captura; depois do
impacto, pode funcionar como reação.

É nesse ponto que gesture deixa de ser mera ilustração e passa a participar da
musicalidade.

13. UMA CONEXÃO COM ESTUDOS DE GESTO E
LINGUAGEM

A teoria de David McNeill, amplamente utilizada em estudos de gesto, distingue categorias
como deictic, iconic, metaphoric e beat gestures. Essa taxonomia não pertence ao
vocabulário técnico do Krump; aqui ela é usada apenas como lente analítica externa para
observar funções comunicativas das mãos.

• Deictic: apontar ou referenciar — você, eu, aquilo, ali.

Iconic: representar fisicamente uma ação ou objeto — pegar, cortar, puxar,
arremessar.

Metaphoric: transformar uma ideia abstrata em algo espacial — segurar poder, abrir
energia, elevar algo invisível.

Beat gesture: marcar ritmo ou organização do discurso — accents das mãos
acompanhando subdivisões musicais.

Essa comparação é valiosa para análise, mas não deve ser convertida em “quatro tipos
oficiais de Krump hands”. Ela serve para ampliar a leitura do fenômeno, não para
substituir a terminologia da cultura.




14. NÃO É UMA LÍNGUA DE SINAIS NO SENTIDO
LINGUÍSTICO

Quando Miss Prissy compara a comunicação das mãos a algo “almost like sign language”, a
comparação descreve uma sensação de comunicação visual. No entanto, línguas de sinais
como Libras e ASL são línguas naturais completas, com sistemas linguísticos próprios.
Estudos de gesture distinguem gesture systems de línguas de sinais autônomas.
Por isso, uma formulação mais precisa é:

Krump uses a gestural language that allows dancers to communicate ideas,
actions, character and intention without words.

A comparação com língua de sinais pode ser útil como metáfora de legibilidade e
comunicação, mas não deve apagar as diferenças linguísticas e culturais entre os
fenômenos.

15. DEFINIÇÃO-SÍNTESE 

Esta síntese concentra o eixo central da pesquisa: a mão não é mero acabamento visual. Ela
participa da construção de significado. Sua forma, direção, dinâmica e relação com o
restante do corpo podem transformar movimentos em linguagem, ações em narrativa e
foundations em comunicação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Hand Language e Gesture revelam uma dimensão sofisticada do Krump: a dança pode
operar simultaneamente como técnica, expressão, narrativa, identidade e comunicação. 
O estudo das mãos torna-se mais consistente quando evita duas reduções opostas: tratá-las
apenas como estética ou, no extremo contrário, transformar cada configuração em um
“dicionário” de significado fixo.


O que aparece nas fontes é mais complexo. Há códigos, convenções, ações e vocabulários
reconhecíveis, mas seu significado é completado por contexto, linhagem, character,
musicalidade, intenção, espaço e resposta corporal. É exatamente essa abertura
estruturada que permite ao Krump manter legibilidade sem perder improvisação e
individualidade.

Para o KRUMPOLOGY, essa perspectiva reforça uma proposta de pesquisa que não separa
foundation de expressão: estudar a técnica é também estudar como o corpo produz sentido.

REFERÊNCIAS CONSULTADAS

1. PBS / Miss Prissy — entrevista sobre Krump, foundations e communication tools.
https://www.pbs.org/video/how-this-west-coast-dance-style-took-over-america-wu2db2/

2. Hip Hop Dance Almanac — Jonadette Carpio.
https://www.hiphopdancealmanac.com/post/jonadette-carpio-3

3. Repositório UFU — pesquisa acadêmica sobre Krump, oralidade e vocabulário.
https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/45255

4. KOB Entertainment — documentação comunitária sobre Krump e hand signs. https://kob-
ent.jimdoweb.com/krump/

5. Session Queens — glossário técnico de Krump. https://www.sessionqueens.com/copy-of-hand-1
6. Udemy — Prince Yarjack, curso de Krump e organização pedagógica de hand codes.
https://www.udemy.com/course/krump/

7. RAC St. Louis — Kyla Kikkawa e dimensão comunicativa/linguística do Krump.
https://racstl.org/hostl-kyla-kikkawa/

8. Hip Hop Dance Almanac — The Potential of Krump / invisible props.
https://www.hiphopdancealmanac.com/ink-cypher-the-potential-of-krump

9. Mayckon Philosophy — Krumptionary / glossário histórico.
https://mayckonphylosophy.blogspot.com/2011/07/krumptionary.html

10. Mayckon Philosophy — Krump Advanced / Arms vocabulary.

https://mayckonphylosophy.blogspot.com/2013/08/8-basestecnicaevolucaokrump-
advanced-40.html

11. Hip Hop Dance Almanac — Duwane Taylor.
https://www.hiphopdancealmanac.com/post/duwane-taylor-1

12. PMC — referência sobre classificação de gestos inspirada em David McNeill.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9952557/

13. Annual Review of Anthropology — gesture e sign language.
https://www.annualreviews.org/content/journals/10.1146/annurev.anthro.26.1.109
CRÉDITOS

KRUMPOLOGY • RESEARCH SERIES


KRUMPOLOGY | Hand Language & Gesture no Krump | Mayckon Almeida (Fleshbonez)

Pesquisa, organização e autoria biográfica Mayckon Almeida (Fleshbonez)

Referência editorial KRUMPOLOGY

Projeto KRUMPOLOGY Research Series

Finalidade

Material educacional e de pesquisa sobre cultura,
linguagem e técnica do Krump.














sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

KRUMP- A redescoberta de uma id-entidade



A redescoberta de uma id-entidade






O Krump antes de mais nada, em seu aspecto cultural e diaspórico é uma catarse. Vamos entender esta definição; a catarse visa eliminar perturbações psíquicas, tensões e angústias, através da provocação de uma explosão emocional. É exatamente aqui que entra a “terapia” do krump como objeto e ferramenta de auto descoberta.


O krump em sua concepção tem o objetivo primordial em criar uma fuga positiva contra a violência e opressão dos jovens da central sul de Los Angeles em meio aos bairros violentos em torno da Califórnia.


Aqui vemos como ponto de partida a saga de Ceasare La Ron Willis (Tight Eyez) e Jo'Artis Ratti (Mijo), como precursores e pioneiros (OGs) dentro do processo de desenvolvimento da linguagem.


Tight Eyex costuma relatar que os jovens morriam muitas das vezes na calçada por serem até confundidos com membros de gangues, e o assédio ao sistema do narcotráfico era algo comum entre os jovens pobres que viam nesta oportunidade algo para se adquirir renda fácil em meio a dificuldade social e econômica das periferias (realidade que não difere das demais regiões populacionais periféricas). Em seu relato, Tight Eyez diz que o krump o “salvou” e levou ele a patamares e lugares que ele nunca imaginou estar, inclusive em seu relato ele afirma que muitas das vezes estando em meio a membros de gangues os próprios membros diziam, “não Chez, você aqui não, você é um cara de futuro, você tem talento com dança, e pode buscar algo melhor para você” (relato do próprio Tight Eyez).


Quando partimos deste processo diaspórico e chegamos com a transliteração da comunicação em linguagem de diferentes regiões e países, percebemos que cada lugar terá a sua identidade, isto se dá pela perspectiva de como esta realidade afeta cada indivíduo de forma interpessoal.

Países aos quais não lidam com a questão da violência urbana como guetos e favelas usarão a motivação de conflitos emocionais, políticos e pessoais para usar esta descoberta. Não estou a afirmar que o krump se baseia em “violência”, mas sim em superação.


O Krump está ligado intrinsecamente a um sentimento de realização e desafio, é uma técnica que exprime força, expurgo de frustrações e o uso de linguagens de dominância, e para dominar é necessário se impor baseado na autoconfiança, e só tem confiança quem conhece a si mesmo e sabe do que é capaz.


O krump pode expressar paixão arrebatadora, sentimentos profundos que envolvem muitas das vezes um paralelo de linguagem que outras danças abordam, porém em outros contextos e intensidades, um perfeito exemplo é o amor protetor de uma mãe em meio a uma situação caótica de resgate, ou mesmo a libertação de uma dor ou de alegria eufórica mediante a uma realização. Estes sentimentos em forma de linguagem se dão através dos níveis de intensidade (Start off, krump, buck, liveness) são zonas de intensidades que vão da abordagem mais técnica ao nível mais intenso de expressão.


É exatamente neste processo de conhecimento técnico que você tem a descoberta de si mesmo, justamente através de motivações que se personificam por um alter ego. É aqui que sua ID-entidade tomará forma e criará uma faceta de linguagem que contará uma história através de sua movimentação e linguagem. 


As técnicas bases são um pano de fundo para seu vocabulário, mas existe uma diferença entre dançar com intenção krump e dançar com técnicas krump. A intenção é exatamente aquilo que te motiva a se mover e a dizer, mas sem a técnica é como um bebê chorando, expressando sentimentos porém sem verbetes ou palavras. Um bebê chora por diversas razões, e por não possuir vocábulo você verá expressões de angústia ou mesmo gestuais corporais que sinalizam que algo está sendo dito em forma de expressão. Ao passo que o bebê descobre o vocabulário linguístico as palavras são atribuídas aos estímulos, assim é o krump.


Quanto mais vocabulário você tiver, melhor você entenderá seu corpo e onde você quer chegar com aquilo que você deseja expressar. Por isso é importante uma rede de conexões, onde pessoas com diferentes experiências somarão em seu processo evolutivo, é aqui que entra a influência das famílias de krump.


A princípio as famílias foram baseadas no conceito das gangues, repletas de códigos de honra, todos conhecem o conceito oriundos dos filmes de gangues urbanas, onde o novato iniciado tem a incumbência de mostrar sua lealdade antes de passar pela iniciação dentro de um grupo específico. 

Pode parecer assustador esta analogia, mas este é o contexto cultural de jovens de periferia, e estes estímulos são transformados em um contexto positivo para que eles possam se estruturar e diferir da realidade em que vivem.

O Big Homie (o grande irmão, ou irmão mais velho) é aquele que mentora o irmão mais novo, mas antes vamos compreender melhor o conceito da palavra:


Big Homie is a Slang term used in California, mainly L.A. area to call someone, a friend, dawg, loc, or gang member. (Urban Dictionary)


Isto significa que este contexto não vem do krump, muitas terminologias são oriundas de verbetes culturais e urbanos, por isto é necessário ter vivência para entender que o krump antes de mais nada é uma cultura e não algo que se aprende de forma “acadêmica” (me refiro a apenas estúdios de dança ou apenas em aulas regulares).


O krump não é apenas uma técnica de dança, ele não foi contextualizado de forma coreográfica, ele antes de mais nada é uma questão de sobrevivência, os jovens não tinham acesso às escolas de dança ou mesmo condições de pagarem aulas para se entreter e terem algo positivo para fugirem da opressão urbana, este era um dos relatos de Tight Eyez através do filme RIZE. O krump se tornou sua razão de existência, e para muitos; inclusive para ele significa algo espiritual (de fé) pois foi ai que ele entendeu que todo este processo veio para libertar ele da morte, a morte prematura que poderia levar um jovem negro de periferia a mais uma estatística de fim existência, assim como toda realidade de jovens negros oriundos de periferia.


Para este Big Homie/Grande irmão, trilhar este caminho de libertação era importante para outros jovens independente de suas condições econômicas ou étnicas, no krump não prega sexismo, apesar de ser uma dança maioritariamente focada em trejeitos masculinos de dominância, e em sua grande maioria serem  homens justamente pelo seu contexto cultural…Este é um ponto delicado que merece atenção e deve ser mencionado.


O krump se compararmos com o mais primórdio das manifestações culturais do gênero humano tem a ver com dominância, e esta sempre foi uma característica masculina em sua forma mais primitiva. 

O papel msculino em meio ao conceito cultural de tribo sempre foi a GUERRA, sempre foi a dominância de territórios e proteção da tribo, e isto está presente no contexto cultural de culto dentro das religiões africanas, se traçarmos um paralelo com os personagens e entidades da cultura afrodescendente você verá representações distintas de como cada divindade exerce seu papel dentro do contexto cultural.


Algumas divindades representam a colheita (fertilidade, sensualidade, amor e reprodução) outras trazem o contexto de guerra, conquista e libertação, e isto está presente na forma mais conceituada de tribos existentes no mundo, é impossível negar este contexto inicial. 


Quando trazemos este paralelo para o krump percebemos que dentro das “gangues” esta necessidade de aprovação e lealdade está intrinsecamente ligada ao mundo do “Hip-Hop” (Rap), observe que não estamos referenciando o Hip Hop cultura e sim música/indústria. Basta observarmos como massivamente a indústria de entretenimento através da música tem um forte apelo e influência na cultura, e aí passamos a traçar um paralelo de como a indústria da música sempre se apoiou na influência cultural de gangues, não é preciso mencionar como estas influências alavancaram a indústria ao passo que muitos destes artistas infelizmente vieram a morrer devido a este contexto ( ex: Tupac Shakur,The Notorious B.I.G entre outros).


Esta influência de dominância vem exatamente deste contexto, trejeitos e arquétipos pré estabelecidos, então podemos alegar que o krump é uma dança masculina? Não, de forma alguma, o krump é uma dança de dominância e indefere de gênero, porém sua concepção tem esta influência cultural e contexto diaspóricos, conceituados na genética tribal que faz com que haja um apelo maior entre a comunidade masculina, vou dissertar isto de forma mais minuciosa.  


A feminilidade por muito tempo foi algo inerente à figura da mulher, e o krump é rústico digamos assim, observando a postura do Hunting Posture vemos que isto tem um contexto mais viril (costas curvadas, mãos baixas em postura de briga ou segurando as calças como os rappers americanos fazem). Estes arquétipos são algo fundamentado em corpos masculinos em um contexto cultural dominante, ao passo que no universo feminino o diálogo é outro, muitas das vezes abordando a mensagem de amor, romance ou mesmo de dominância, mas com outro arquétipo, por isto a importância de se ter a referência feminina dentro da cultura para criar arquétipos que não sejam masculinizantes, é importante frisar que dominância não é um contexto masculino e sim de imposição territorial.

Sempre quando me refiro a estes contextos estou me referindo a uma escala tribal e não social moderna, lembremos que o krump é uma dança diaspórica e que sua maior referência foi feita no RIZE através dos olhos de David La Chapelle.  


Por fim entendemos que todo este conceito por trás de uma roupagem cultural se mescla com novas realidades e que darão origens a novos arquétipos, e também darão vidas a novas linhagens de krump que corroboram para a descoberta de suas ID-entidades. 


Por Mayckon Almeida


Referências biográficas:


Rize - por David La Chapelle.

Urban Dictionary- (vocabulário urbano).

Krump DVDs the Golden Series- Por Kokie Nassim aka the Doctor.

Pesquisa através de contos orais oriundos do Afro e história do Hip Hop.



 






segunda-feira, 30 de maio de 2022

MAKE "TF" NOIZE

Olá consagrados e queridos...

Hoje iremos abordar um assunto um tanto complexo e que requer entendimento sobre seu real significado e conceito dentro de sua aplicação, estamos falando de "MOVIMENTO".

Este termo é aplicado no Krump como forma de expressar a definição de "Um grupo de pessoas cujo objetivo é propagar ações que representam uma cultura ou pensamento", no caso do Krump temos uma cultura ao qual nasce nos EUA e que seu principal foco era inicialmente segundo Tight Eyez ser uma atividade que pudesse contrapor a realidade de opressão ao qual os jovens de bairros pobres e de regiões violentas como os deles pudessem extravasar aquela "negatividade" de forma expressiva e artística em forma positiva, ao qual eu chamo de Catarse (do grego kátharsis, "purificação", derivado de καϑαίρω, "purificar").

O Krump é uma dança extremamente poderosa, que vai além da técnica, mas trabalha também nas regiões da Psique. Psique é a palavra com origem no grego psykhé e que é usada para descrever a alma ou espírito. Também é uma palavra relacionada com a psicologia, e começou a ser usada com a conotação de "mente ou ego" por psicólogos contemporâneos. E é exatamente aqui que me permito a entrar para dar o "tom" de nossa conversa.

Ego segundo a psicologia é o núcleo da personalidade de uma pessoa, o princípio de organização dinâmica, diretor e avaliador que determina as vivências e ATOS (Personagem) do indivíduo, é aqui que entra o "Alter Ego" (Entenda como o "outro EU").

O que é ter um Alter ego?

Alter ego é uma locução substantiva com origem no latim "alter" (outro) e "ego" (eu) cujo significado literal é "o outro eu". A expressão alter ego é uma outra personalidade de uma mesma pessoa podendo ser um amigo ou alguém próximo em que se deposita total confiança.

No krump é justamente isto que temos como base para o desenvolver de nossa expressividade "O personagem" ao qual é baseado em atitudes de um outro "eu" ao qual muitas das vezes representa esta  Catarse sobre si...

Quando envolvemos o contexto de "MOVIMENTO" estamos falando justamente disto, onde pessoas se agrupam e formam uma comunidade para estes "RITOS" ou rituais se preferirem, onde se propaga e cultiva este universo a fim de poderem expressar esta ideia sobre uma Cultura.

Aplicando isto no Krump podemos afirmar que a cultura não é feita apenas por quem "dança", o Krump sempre foi uma dança que transpôs tempo e espaço, na verdade é uma cultura de "afirmação territorial" assim como Eyez e Mijo se viram na necessidade de ganhar respeito diante de Thommy " The Clown" justamente para ganhar sua "VALIDAÇÃO" diante do cenário de batalhas e territorialização dentro da era "RIZE".

Para quem acompanhou o "KRUMP KINGS" (Me refiro aos DVDs) sabe que existiam as tais batalhas por validação, que consistia obter o respeito pelos antigos justamente para fazer parte do agrupamento dos ELITE KRUMPERS da época. Era normal as batalhas acontecerem com os "novatos" ou recém chegados na cena onde todos desejavam fazer parte do KRUMP KINGS.

Mas quem eram os KRUMP KINGS?

Krump Kings eram os krumpers mais perigosos e habilidosos da época que foram validados por Eyez e Mijo para comporem um acervo de identidade ( assistir Styles of Krump DVD) onde somente os "validados" poderiam fazer parte deste grupo.

(link do video)- https://www.youtube.com/watch?v=7zMCy5ngX5Q


E por que ser "validado"?

 É exatamente esta a questão, estamos falando de uma cultura de rua onde seus moldes são baseados nos "meandros" de gangues, onde é necessário segundo a tradição ser validado pelos mais antigos para fazerem parte do agrupamento, é como nos filmes de "MAFIA" onde o menor vai conquistando a confiança dos mais velho e conquistando a sua representatividade.

Isto faz parte do sistema do "KRUMP GAME" já estabelecido dentro da cultura por quem tem a vivencia a anos, a saber os krumpers norte-americanos, que construíram um sistema complexo para manter a dança viva e atuante.

Tight Eyez onde passava batalhava, sempre para se testar e como criador da dança provar para si que sua técnica e seus ensinamentos estavam atualizados, assim como "Bruce Lee" Eyez tinha esta necessidade de superação e validação por ser um dos criadores de um dos estilos mais competitivos de dança já criado.

Krump é uma dança de "validação" embora ela tenha sua forma artística e expressiva ela foi forjada no "FOGO DA BATALHA". E em cada local Tight Eyes ensinava e deixava discípulos que validavam o movimento daquela localidade especifica, era o que acostumava acontecer na Europa mais especificamente a exemplo da França e Rússia.

Estamos falando de escolas, onde sempre foi uma honra ser do "clã/escola" de um dos mais atuantes e influentes krumpers de toda uma geração. Os americanos costumam dizer  que quem é krumper tem que viajar para a "MECA" para se validar, ao qual é impossível você se intitular o melhor krumper se você não enfrentou ainda os melhores krumpers do mundo, assim também como no krump existe os RANKS que são os Spots de validação que categorizam seu legado ( assim como no Boxe) de acordo com sua vivencia. Nós conhecemos alguns como HeavyHitters, Rookies, OGs,Vets etc..

Um movimento envolve toda esta estrutura e consequentemente envolve a "validação" seja ela local ou regional. O krump trabalha a promoção hoje singular através das redes sociais o que facilitou muito a propagação de novos talentos, mas para quem acha que tudo se resume em treinar no "quarto e postar vídeos" precisa entender que a cultura embora tenha iniciado em uma sala de visitas  se trata de uma cultura coletiva que faz jus ao nome "movimento" que provem do ato de se movimentar... Dai o termo criado chamado MAKE NOIZE (Faça barulho).

Em um universo tão rico e de constantes mudanças e validações é normal as pessoas buscarem reconhecimento e validação, mas não sem antes "MOSTRAREM SERVIÇO" e que requer passar por estes desafios já estabelecidos pelo krump. Se eu quero entrar numa crew "de krump" eu tenho que ser validado pela crew, se eu quero ter relevância com um nome especifico eu tenho que provar que este nome faz jus ao que me proponho me validando em "Batalhas". 

O krump a todo momento esta em movimento, no Brasil por exemplo temos nomes que foram se validar lá fora a fim de ganharem o respeito pelo seu legado, e sim, se quero reconhecimento eu preciso me validar onde existe o foco principal do movimento, e isto esta compreendido nos grandes eventos. 

É quase que impossível eu ser krumper na minha cidade sem me envolver nos eventos de krump daquele movimento local, assim como é impossível querer estar inserido em um movimento nacional e nunca ter participado de uma coletividade onde o movimento nacional esta inserido. Hoje a capital do krump no Brasil especificamente é em São Paulo, e por quê? Isto devido a todo o contexto histórico, por ser uma das cidades mais antigas e de maior contingente de numero de krumpers em solo Brasileiro e também de maior realização de um evento internacional a saber o CFTK.

Eu como krumper devo me permitir como membro desta cultura vivenciar isto pelo menos uma vez no ano, assim como muitos devem desejar também ir em eventos internacionais como a EBS e Illest assim como almejar viajar para a MECA do krump (EUA). A validação do krump é necessária, é uma cultura já pré estabelecida e que tem sua vertentes e diretrizes, mas sobre tudo é uma cultura de vivencia e aprendizado, onde sua fala só funciona de acordo com aquilo que você apresenta em cena.

E ai foi criado mais uma frase icônica dentro do universo "Shut up and dance" onde o único barulho audível será aquele que você expressa em uma batalha, e ali seu respeito será conquistado.

Texto por Mayckon Almeida aka Fleshbonez OG Scriptz



   

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

7 Regras para se julgar o Krump



7 Regras para se julgar o Krump
(Por Dougie Knight)

AS 7 REGRAS DE AVALIAÇÃO DE UMA RONDA

14 DE SETEMBRO DE 2017 · PÚBLICO

Hoje venho vos falar um dos meus segredos mais preciosos dentro do KRUMP 
espero não mudar de ideias quanto a esta informação que vou dar , isto é uma 
formula de critério de avaliação de dança, isto não foi inventado por mim foi 
criado por eyez e mijo (sei que vai haver gente caindo em cima de mim 
por causa desta informação por mais simples que pareça).


Isto é tudo aquilo que você precisa saber para fazer uma boa ronda de KRUMP
de uma forma geral sem especificar por enquanto são:

1.GET OFF

O get off baseia-se em tudo que tenha a ver com conceitos e bases envolventes com 
arm swings exemplo:

Liveness e buckness ( no liveness os arm swings e a dança é toda feita em cima
no buck arm swings e dança é toda feita com um certo exagero da primeira 
posição de equilíbrio mais em baixo ( exemplo de comparação spartan 
e boy mijo). Power moves, ilusion arm swings, invisible props, jabbs , snatch
throw ; grabdrag, tapping sharpeness, arm positions, arm placements, 
hand placements e muitas outras bases envolventes e conceitos com 
arm swings são feitos neste momento.

2.Travelling

Baseia-se na deslocação e toda a movimentação de pes durante uma ronda 
conceitos e bases por norma utilizados:

Footwork (base principal ponta e calcanhar respeitando as 3 bases de equilíbrio(Gliding/sliding para deslocação) , short Hops( deslocação curta 
do ponto A ao ponto B ) buck hops (deslocação mais longa do ponto A 
ao ponto B ).

OBS: eyez refere que a melhor forma de deslocação não começa propriamente 
com os pés e sim com a parte superior do corpo antes de chegar aos pes 
(footwork).

3.Character

Tem a ver com o que próprio nome diz e é o que te define dentro do KRUMP 
é algo único.Não esquecendo que style e character são duas coisas que andam 
sempre juntas.
Estilo tem a ver com a historia que você quer por nas suas bases e conceitos.
Sendo que um krumper pode ter vários estilos baseados em um character

De uma forma geral posso resumir que :

*Character é quem eu sou.
*Estilo como eu faço.

Exemplo: ( Tight eyez Character G.O.A.T style: Style ripper, Tight eyez Character 
G.O.A.T style: NY MADNESS ,Tight eyez Character G.O.A.T style: MADRIPP)

OBS: Por norma o mundo do krump não é apreciador de pessoas que tomam o 
mesmo character , enquanto que com estilos isso já não acontece 
( exemplo big homies e lil homies).


4.Musicality

Musicality- é a interação de um krumper com a musica, de um modo geral 
mesmo em outros estilos de dança a musicalidade tem haver com a
sensibilidade de saber ouvir e interpretar a musica consoante aquilo que a 
musica exige.
Dentro do mundo do krump a musicalidade é interpretada de uma forma 
diferente dos outros estilos, enquanto nos outros estilos os dançarinos dançam 
consoante que a musica exige , dentro do krump os krumpers tem o objetivo 
de dançar como se a musica estivesse sendo criada por eles enquanto dançam.

OBS: Esta forma de musicalidade é muito comum dentro de battles de KRUMP 
mas não muito aplicada em battles de all styles devido a complexidade de 
compreensão quanto ao KRUMP por parte de outros estilos .

Eu costumo explicar isto da seguinte forma antes de você por musica você tem 
um ritmo interno no teu KRUMP , quando você põe a musica você quase que 
sincroniza o teu ritmo interno com o ritmo das traxx de KRUMP, isto só é 
possível porque as musicas dentro do krump são criadas conforme o KRUMP 
é dançado. 

5.Timing

Tem a ver com conceitos e bases dentro do KRUMP que te fazem "bater" 
em partes especificas dentro da musica exemplo: Body Control , Hitting  
delay combos, ticking , focus points , head snaps qualquer tipo de combinação
dentro do krump podem mostrar timing.

Muitas das vezes existem krumpers com timing mais sem musicalidade 
(mesmo que essa musicalidade dentro krump como já expliquei funcione de 
forma diferente) isso porque a musicalidade é um interação completa com a 
musica e o timing tem haver com um momento em especifico dentro da 
musica em que o bailarino pegou uma batida ou acertou em um ritmo 
enquanto executava um combo ou um conceito.


6.Material

Tem a ver com toda aplicação e junção de todo o conhecimento e técnica do 

KRUMP dentro de uma ronda, e criatividade todos os tipos de bases KRUMP 
fazem o teu Material mais rico.


7.kill off

Por norma é sempre decido pelo publico dentro de uma ronda, krumpers podem 
ate criar movimentos ou combinações que consideram kill off , mas só sera 
decidido se é um kill off enquanto for feita a ronda e é normalmente medido 
pelo nível de êxtase do publico (hype).

OBS: Existe uma certa dificuldade em alcançar um kill offf porque um kill off 
não se pode resumir em apenas um muito bom combo ou movimento feito
tem a ver com toda ronda em si com um toque de excelência em um certo 
momento é o mesmo que ter uma cereja em cima de um bolo.

Esta nota foi um parecer do Dougie um dos primeiros krumpers brasileiros 
ainda no Orkut a compartilhar conhecimento aqui no Brasil,Dougie mora em 
Portugal mas é brasileiro e sempre se dispôs a compartilhar conhecimento com 
os brasileiro e é exatamente por causa dele que o krumpology inspirado em seus 
feitos existe.

Com as constantes evoluções técnicas e mudanças na nomenclatura muitas 
coisas podem ser alteradas ou reajustadas e segundo o ultimo tópico 
do Ruin aka Lil BullzEyez temos algumas pequenas alterações que podemos 
acompanhar porém sem desmerecer o já estabelecido por MIJO E EYEZ os 
criadores ao qual estabeleceram as 7 regras citadas acima pelo Dougie.